terça-feira, 2 de dezembro de 2014

do julgar e saber julgar-se

Nos últimos tempos tenho visto pessoas à minha volta que sem carisma, sem ética, sem uma base sólida de princípios, sem carácter se colocam a jeito e chegam onde outros não chegam. Com permissões superiores obviamente. Não tem sido exclusivamente nos últimos tempos, mas tem-se notado cada vez mais. Uma destas manhãs, enquanto trazia os meninos para a escola, ouvia na rádio que cultura não significava saber muito sobre um tema, cultura significa saber e conhecer o que faz parte do mundo e da sociedade para poder julgar, sim julgar os outros. E saber julgar-se a si mesmo. Ora se me sei julgar a mim mesmo, então, tenho o poder de julgar os outros. Eu ouvi apenas duas frases e não sei de que livro falavam. Mas achei marcante esta forma de pensar, a de julgar os outros. Ouvimos sempre que não devemos julgar as atitudes dos outros mas onde ficamos então? Eu tenho o direito de julgar as pessoas à minha volta, como pessoa consciente que sou, que sei julgar-me a mim própria. Tenho o dever de julgar a mediocridade que existe à minha volta. Tenho o dever de condenar esta mediocridade instalada. Mas e depois do julgar? O que posso fazer para construir algo sólido, com valores e princípios que falam por si só? Como fazer as pessoas voltarem a acreditar num sistema que funcione a pensar em todos? Como podemos banir algo que foram as próprias pessoas que ajudaram a construir através e só da mediocridade? E a verdade é que (para além de sonhadora) acredito nisto, num mundo melhor, com pessoas melhores.   

sábado, 29 de novembro de 2014

da madrugada

São cinco horas da manhã. Estou acordada desde a uma e meia. Hora que dei o leite ao João. Tenho andado às voltas na cama e não consigo adormecer. Levantei-me. O dia de ontem foi bastante agradável. Esteve sol e saí com os meninos para dar uma volta na vila e ver as montras do natal, comprar fitas para os presentes para colocar sobre a árvore que já fizemos. Passámos na avó. Voltamos para casa. Brincámos. Depois a sopa e um sono que durou pouco. Deu tempo para arrumar as coisas em casa. Sair à rua, colher uma laranja, descascá-la com o sol bem em cima de mim. Respirar fundo. Um dia sem grandes emoções. Só nós e a nossa casa. As nossas tostas. O sumo de laranja. A nossa lareira. Os nossos risos. E, depois, o meu pensamento que não me deixa dormir. O meus pensamento que não me deixa estar em paz. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

dos acontecimentos

Os dias passam demasiado rápido, mesmo não dormindo nada as últimas noites. O meu corpo deve estar tão habituado a não dormir que acha normal deixar-me acordada ou apenas um sono tão leve que não posso sequer dar-lhe o nome de dormir. O meu C. esteve doente (gripe) e o Sócrates foi detido. E como sou uma pessoa até bastante tolerante (já fui muito mais - para falar a verdade não me apetece nada nada ser tolerante hoje em dia com certas situações) até poderia deixar de comentar esta detenção de Sócrates (mas soube-me tão bem). Sigo aqui (Estado Sentido) algumas conclusões do que se passa sobre este tema. E sim, irrita-me as pessoas que defendem o Senhor Sócrates. E não, não consigo ser tolerante. Como refere Fernando Melro do Santos aqui, "the smell of fear is real". 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O nosso jantar

Tenho pensado no blogue desde que tive mais visitas na semana passada. Como não tenho tempo de fotografar e de fazer coisas bonitas que possam ser fotografadas acabei por tornar o blogue muito mais de emoções diárias e pensamentos meus que envolvem coisas que me vão acontecendo. Ou teria deixado de vir aqui há muito tempo. Porque as coisas bonitas continuo a fazer, mas sem tempo de as preparar para apresentar no blogue. Porque não quero algo mais ou menos. A fotografia tem de transmitir aquilo que sinto e vejo. 
Estes dias o C. falava-me de que tinha lido que Steve Jobs usava apenas um estilo de roupa e o motivo seria o de não ter de pensar muito no assunto, o vestir-se pela manhã sem pensar nisso, para deixar os pensamentos livres para algo maior, para que a sua mente estivesse disponível para coisas importantes. O C. riu-se porque ele reclama quando algo que ele precisa não está no sitio do costume e dizia sempre isso que não queria pensar muito onde estavam as coisas. Precisa estar livre para as coisas importantes. Desde que me falou neste exemplo que não paro de pensar que faz tanto sentido. Por esse mesmo motivo, gosto de fazer algo no domingo que me leva algum do meu melhor tempo de pensamento, se não for planeado e pensado. Se não tenho as coisas programadas passo os dias a pensar o que fazer para o jantar. Parece algo pequeno mas faz diferença na organização dos meus pensamentos. Por isso hoje deixo (para além de meus pensamentos) a minha lista de jantares. Tendo em conta que tenho de agradar aos meninos e ao C. e não é um trabalho assim tão simples (parece não é?). E como tenho dois meninos pequenos, tem de ser mais simples ainda preparar estas refeições, porque o João pede colo o tempo todo. Ufa! Eu escolho cinco pratos e nesse dia escolho o que vai ser, tendo em conta que faço as compras da semana a partir desta lista de refeições, vou ter tudo em casa. 

Salmão no forno com batatas douradas; 
Arroz chinês; 
Feijão frade com atum e ovo;
Costeletas de borrego fritas com puré e espinafres salteados;
Pizza caseira 

P.s. Tentei encontrar receitas idênticas para dar pelo menos um exemplo de preparação e porque a imagem vale tanto em culinária, mas não se assemelhavam às minhas (as minhas são muito mais simples), fica portanto só a sugestão. 



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

saia rodada

Adoro esta música. Foi a querida M. que me falou dela (da música). Não me canso de ouvi-la. 





do entusiasmo

Não sei se sempre fui assim. Mas noto que não me entusiasmo com facilidade com as coisas que acontecem à minha volta. Pensei nisto hoje quando deixei os meninos na creche. O dia do pijama. O Miguel não queria por nada levar o pijama vestido. O João também foi contrariado. E quando chegámos os meninos de pijama pareciam todos eufóricos. E notei uma total indiferença do Miguel para com isto tudo. As mães deixam as fotografias dos filhos vestidos de pijama no mural. E eu continuo a não me entusiasmar com dias destes e talvez por isso eles não o façam também. (Já a causa em si parece-me bem). Não falo das coisas com espontaneidade vibrante. E queria perceber quando deixei de ser assim, ou se nunca fez parte de mim. Há poucas coisas que me entusiasmam e mesmo assim não chega a ser uma euforia. Nem o facto de ter imensos visitantes ao meu blog desde ontem me entusiasmou. Tenho receio de estar a ficar demasiado acomodada à rotina da vida. Ou então, simplesmente, acho na calma uma grande felicidade sem necessidade de atirar os confettis. 

P.S. O Miguel adora carros. Sim, esse entusiasmo nele dá para perceber. E eu, adoro livros novos. Talvez esteja a exagerar. Depois de acabar de escrever isto tudo, descubro que talvez haja coisas que me entusiasmam bastante. Apenas não são as mesmas coisas com que outros se entusiasmam aqui à minha volta. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Chá de folha de laranjeira

O João tosse imenso durante a noite. Detesta tomar o xarope. Os dias estão cinzentos. E quando saio para os buscar no final da tarde já escureceu. Voltamos para casa e acendemos a lareira. Preparo o jantar. Esperamos o pai chegar. Há brincadeira até nos dias que ele tem mais sérios. Ele está sereno. E por isso estou serena. Faço aquele chá que tomava nos dias de inverno junto à lareira com os meus pais e as minhas irmãs. Chá de folha de laranjeira. Tenho uma laranjeira quando olho a rua, da janela da cozinha. E tenho agora a lareira. E tenho agora a minha família. Tomei esta forma de pensar que é não pensar na vida. Não posso parar para admirar a demasiada felicidade nas coisas. Quero apenas os dias assim. Palavras, gestos, olhares com amor. Com amor. Outra vez amor.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

aquela paz

Consigo sentir uma felicidade única e tranquilidade na alma. Esta felicidade sem motivo aparente visita-me de vez em quando. Não vem de qualquer acontecimento que possa fazer aparecer esta felicidade. Vem por si só. Já senti isto uma outra vez. E recordo-me quando. Mas pergunto-me porque só me visita algumas alturas da vida. E é por estas alturas, quando este sentimento me visita que sou a melhor pessoa de mim. A minha mente está simplesmente tão leve que encanta. Aceito as imperfeições. Aceito a forma de ser dos outros e as histórias que insistem em entrar na minha história. Aceito, porque não somos seres fechados em nós. Aceito porque cada qual constrói o seu mundo achando que cada mundo que constrói é tão seu. Mas acaba sempre por pertencer a outros mundos. Aceito por isso mesmo. Porque a minha felicidade vem de dentro. Não pode haver mais genuína. Podem cruzar-se mundos com o meu. Porque todos me fazem ser maior do que sou. Porque eu tiro deles o bom para mim. Porque a minha história sou eu que faço, com os sentimentos que escolho ter. Hoje escolhi aceitar. E por isso hoje continuo a ser a mesma pessoa, mas há algo que vem do coração e transborda. Aquela paz. E essa paz, eu sei, ela não consegue ter.


"Belo belo belo
Tenho tudo quanto quero.
 (...)
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples."

Manuel Bandeira, in: Belo belo

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

not so romantic

Eu não gosto do típico romance dos livros, como Nicolas Sparks, por exemplo. Acho que há tantas coisas melhores para se ler. Mas óbvio, não estou a censurar quem lê. (Mas um conselho. Podem aventurar-se mais porque há imensas coisas bem boas de se ler). E aqueles amores tão perfeitos que muitos apregoam que têm. Isso não é para mim. Abomino amores perfeitos. Relações perfeitas ou demasiado românticas ou a puxar demasiado ao romantismo. 
O meu amor pelo C. não é nada perfeito. Zangamo-nos muitas vezes com pequenas coisas. Mas posso dizer que é a pessoa que quero amar o resto da vida. E como o amo! São poucos os momentos que vou escrever sobre o meu amor por ele, de forma tão óbvia. Por isso quero aproveitar o momento. Tudo o que se pode admirar num homem, ele tem. Tudo o que eu admiro num homem ele é. Para além de ser o mais bonito e charmoso e ter aquela luz própria que o faz brilhar. Hoje estou particularmente feliz. Por ele. Por ser quem é. Por lutar pelas coisas até esgotar todas as possibilidades. Por tanto tanto que cabe entre nós que ele sabe e eu também.
E é isso, estou a escrever exactamente aquilo que enjoa ver escrito nos outros e na vida dos outros, por ser tão enfadonho esta coisa do amor.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

o mundo a girar

Hoje deixei os meninos na creche. Estava demasiada chuva e vento na hora de os deixar. Ontem o Joazito levou a quarta dose da Prevenar. Chegámos tarde a casa porque ele não parou de chorar e ainda não sei o motivo. Hoje pareceu-me mais bem disposto. No corredor da escola havia desenhos pendurados, as duas mãos de cada menino cheias de tinta. Gosto de parar e reparar nestas obras de arte. Sei que cada menino escolhe a cor que quer usar e procurei a do Miguel para saber qual seria a cor que tinha escolhido. Ele tinha uma mão com a cor amarela e a outra com a cor verde. Olhei para os restantes e todos tinham mãos de cor igual. Fiquei curiosa. Ao sair, por coincidência, encontrei a educadora e perguntei porque ele tinha uma mão de cada cor se todos os outros eram iguais. Ela falou que foi ele que quis assim. O único que escolheu uma cor para cada mão. Isto pode não querer dizer absolutamente nada, mas fiquei feliz pelo motivo de se diferenciar dos outros todos. Ou pelo menos de não ter receio de escolher coisas diferentes. De fazer diferente. Existem tantos momentos que deixo por registar. Mas estas pequenas coisas preenchem o meu dia. Eles tornam a minha vida tão significante com estas pequenas coisas. Como se o meu mundo girasse em torno deles. E gira.




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

32 anos

Fiz 32 anos no passado dia 26. Um domingo. Almoçámos fora. O joazito no final do dia, já em casa, caiu e partiu o dente da frente. Ficou com cara de reguila agora. Pelo menos quando se ri. Não queria deixar passar este dia em branco aqui no blog. Apesar de ser já tarde quero deixar um poema. Ultimamente tenho descoberto coisas sobre mim, muito concretas, coisas que sempre soube mas aparecem-me tão perfeitas e tão recortadas. Coisas que gosto e me fazem feliz. A poesia é uma delas. Por isso um poema. Para os meus 32. De Sophia de Mello Breyner Andresen.

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo quanto ressoei

E em cujo amor de amor me eternizei.





sexta-feira, 24 de outubro de 2014

listas de livros

Descobri algo que adoro fazer e me deixa feliz. Algo tão simples como encontrar listas de livros para ler. Adoro tirar a lista e riscar os que já li e colocar na minha lista para ler. Hoje descobri esta por acaso no Pinterest. Eu lembro-me que gostava imenso de ver esta série (Gilmore Girls) e adorava a paixão que a Rory depositava nos livros. Deixo aqui a lista. Achei-a tão especial para mim. Porque lembrar-me destas pequenas coisas faz-me recordar quem eu era. E gosto. De recordar. De quem era. Do que me fez ser quem sou.



Lista aqui.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Glamour

Sou uma pessoa muito simples, uso saltos altos em eventos e gosto, mas sou prática no dia a dia. E sim, finalmente descobri como me sinto bem e o que usar, o que comprar, o que vestir. Poderia(m) achar que isto não tem nada a ver comigo, mas perco-me de amores por esta página que descobri através do Pinterest. Maravilhosa. Cheia de glamour, de luxo. Olhar para estas imagens dá-me um não sei quê de beleza, sonhos e bom gosto.



http://la-la-la-bonne-vie.tumblr.com/page/24



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

a mais sexy

Se me perguntarem qual o meu filme preferido ou música preferida, não tenho a resposta pronta. Mesmo se pensar um pouco no assunto não consigo dar resposta. Depende da altura da vida em que estou ou de me ter marcado de alguma forma. E também não sou uma adoradora de figuras públicas. Ou seguidora, se é que me faço entender. Mas sempre, desde sempre, que admiro demais esta mulher Penelope Cruz. Ainda mais, depois de a ver neste filme de Pedro Almodóvar. Volver. Foi agora nomeada a mais sexy do ano  pela revista Esquire. Fiquei muito feliz. Pela mulher que ela é. E neste caso por ser das mulheres que mais admiro pela sua beleza e sensualidade.E trabalho também. Adoro.








sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Pierre Aderne

Estou apaixonada e encantada com o trabalho de Pierre Aderne. Descobri-o porque ouvi algum tempo atrás a Playlist de Cristiana Águas na TSF. Adorei esta música com a Cuca Roseta, e depois não parei mais de ler e saber e ouvir sobre Pierre Aderne. Adoro. Minha música neste momento. Mais sobre ele aqui. http://pierreaderne.wordpress.com/ 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

o meu outono

A minha época do ano preferida. O outono. As cores, as folhas no chão, as abóboras da horta. A marmelada que quero fazer. As castanhas. Aquela bebida quente. Aquele frio das manhãs. As camisolas a aconchegar-nos. As meias grossas para continuarmos a andar descalços pela casa. Eu quase a fazer anos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Para onde?

Como nos descobrimos em conversas com outras pessoas. Em modos de vida e viver. Sei aquilo que quero ser e o que quero para mim. Mas nem sempre podemos seguir essa linha que traçamos para nós. Porque existem outras pessoas com outras formas de pensar aqui tão perto da nossa vida. Mas isso não significa que teremos de abandonar aquilo a que nos propomos interiormente e exteriormente. Acredito que precisamos dessa linha traçada mentalmente porque isso nos dá segurança para percorrer o nosso dia a dia. Não saber onde se quer chegar nem para onde se vai, em mim, causa alguma insegurança. Por isso eu sei. Aprendi a ouvir-me e sei. Porque existem imensas formas de felicidade, imensas formas de viver. Mas temos de encontrar a nossa. A minha. Tem aromas de bolos feitos em casa, comida deliciosa, um chá quente no fim do dia , a lareira acesa, livros e histórias, muitas histórias. A minha família. Mas tem dias que descubro que a minha garra por seguir os meus passos fora do meu ninho, a minha ambição saudável pela minha vida profissional ficou perdida em algum lugar atrás e tenho de resgatá-la. Todos os dias. A minha vontade de ser muito mais do que aquilo que sou. A melhor parte de mim. Que faz e faz muito. Talvez não seja um resgate. Talvez precise apenas de um novo alento e um novo rumo. Para onde?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

o que contém uma casa

Hoje tive uma conversa casual com a querida M. É sempre bom falar com ela. E por isso deu-me vontade de vir aqui escrever. Falámos de casa e de como adoramos cuidar da casa e filhos. De como gostamos de ter a casa a cheirar a bolo ou a comida deliciosa. A roupa perfumada e arrumada. Somos perfeitas amantes do lar. E depois a falta de tempo que temos para todas essas coisas. Não há forma de fazer tudo o que queremos se estamos fora de casa a maior parte do dia. Não há. Os meus dias são uma correria. E não estou a exagerar. Não me importava de ser dona de casa exclusivamente. Tanto que há para fazer. Mas a mulher é quase obrigada a ter uma carreira de sucesso. Nada contra. Precisamos mais que tudo ser independentes. Mas sabe bem poder imaginar e descontrair. Em como seria perfeita a casa onde moramos se me dedicasse mais (exclusivamente) a ela e a tudo o que ela contém. A nossa vida. Os nossos dias. Os nossos aromas. 
O que realmente me apetecia neste momento era poder estar em casa e experimentar todas as receitas novas que encontrei, cuidar da horta, da flores. E ver a chuva cair. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Dias quentes de chuva

O sábado amanheceu com nuvens. Caía uma chuva pequena, quase imperceptível ao olhar. Eu e os meninos. Almoço na avó Maria. O meu João fez a sesta e acordou com imensa febre. Depois de uma semana de creche voltaram as viroses. Não fomos passear. Ficámos em casa e o meu Miguel parece gostar muito mais de fazer desenhos e pintar. Como está crescido. Diz que é amigo do João. Parece que se safa muito mais assim. Parece que os pais ficam muito contentes quando ele é amigo do irmão. E o João adora-o de coração. Já se coloca muitas vezes em pé sozinho. Agarrado as todas as coisas. Cada vez mais. Conseguem brincar os dois sozinhos. O Miguel começou a permitir que o João brinque com os carros dele. Faz filas com os carros, todos seguidos, colados em que o João vai atrás e desfaz.
Eu. Não tenho mais emoções à flor da pele. Como algumas semanas atrás. Quando li este texto da Beth parei algum tempo a pensar em tudo o que havia acontecido. E tudo o que pedia, em prece, como ela, era alguma serenidade. A serenidade. Senti (surpreendida - por ser tão tarde) que estava a reduzir-me a algo que não é parecido comigo, que não cabe na minha forma de ser, que não havia sequer um lugar para competir. A competição que se imaginou, mas não existe. Não existe na minha serenidade. Descubro (admirada) como o meu coração é tão meu. Descubro (perplexa) o que significa finalmente, serenidade.