Ontem deitei com dor de cabeça, mesmo sabendo que não passava sem medicação. Adormeci. Uma da manhã e acordei. Voltou bem mais forte. Levantei-me para tomar o comprimido. Fico ali algum tempo a pensar no escuro. Nas pessoas da minha vida. Sempre as mesmas. As pessoas que nos transformam, que nos fazem sorrir, que nos fazem chorar. As coisas que nos dizem. As impressões que tiramos, nem sempre acertadas. Elas passam em meus pensamentos. Depois tento não pensar em nada. Só na minha respiração. Começo a precisar aprender a meditar. Deve ser maravilhoso não pensar em nada. Por algum tempo. A minha casa está um caos. Está fora do meu controlo. Afinal está tudo fora do meu controlo. Está fora do meu controlo, perco o interesse. Anteontem fiz bolachinas com os meninos. Correu tão bem e começo a achar que estou a virar uma senhora dona da minha cozinha. Fora as laranjas e os ovos a que não consigo dar conta. Sinto falta de qualquer coisa. E só posso preencher por mim.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
quarta-feira, 25 de março de 2015
das amizades improváveis
Dei por mim a pensar nas minhas amizades. Depois de ter observado que algumas pessoas são amigas sem muitas coisas em comum. Eu gosto tanto das minhas amizades também porque são parecidas comigo. Em muitos aspetos. Principalmente na forma de pensar e estar na vida. Posso estar enganada, mas não são assim as amizades? A verdade é que não temos mais idade para estar com pessoas que não combinam connosco, com nossas ideias. Não tenho mais idade para precisar agradar aos outros. Gostamos de nós como somos e estamos com pessoas que gostam de nós assim. Que nos entendem. Para que serve uma falsa amizade? Se em nosso eu mais intimo sabemos a verdade? E porque não querer simplesmente viver a verdade. Mesmo ficando sozinha. Mesmo que não exista ninguém que compreenda as tuas angústias. As tuas alegrias. Podemos sempre aprender a partilhá-las a nós mesmos. Aprender a gostar de estar, não sozinha, mas comigo própria. I do.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Dirty Dancing
Gosto muito de ver as pessoas felizes. Gosto de ver quando duas pessoas têm uma relação feliz. Que depois de tantos anos, depois dos filhos, depois da rotina, depois das dificuldades diárias, dos contratempos, se gostam um do outro. Da companhia um do outro. Outro dia li uma frase que dizia qualquer coisa do género: antes de casar a única pergunta que devemos fazer é se daqui a trinta anos ainda vamos gostar de conversar com essa pessoa. Mesmo quando estamos em menor sintonia (eu e o meu C.) poderia desejar e odiar as pessoas felizes à minha volta. Mas pelo contrário. Quando não me sinto feliz. As histórias de amor feliz fazem-me bem. E não sei bem porquê, mas cada vez que estou em baixo por alguma discussão eu vejo este video e oiço esta música. Parece que tem magia. Fico feliz.
segunda-feira, 16 de março de 2015
do chá
Tenho andado ausente porque a verdade é que não tenho matéria para escrever. Não tenho pensamentos bonitos em relação aos meus dias. Muito menos tenho pensamentos tristes para partilhar. Ando ao sabor do tempo. E nem estou preocupada por não ter inspiração para escrever. Tenho dias tão cheios. Sou toda trabalho-casa-meninos-dormir. São os meus dias. O Joazito passou a outra noite a vomitar. Dormimos os dois no sofá. Descobri que adoro chá de equinácia. E também o chá dos 3 anos. O chá de gengibre e canela faz-me feliz também. (Não tenho mesmo assunto nem inspiração, o pretexto do chá para encher o meu post). Semeamos na terra. Temos horta. Fazemos queques de iogurte (os preferidos do Miguel). Brincamos. Cozinhar e cozinhar. Arrumar e arrumar. Sei que estou a ser repetitiva. Mas a minha vida é isto mesmo. Repetida. E, adoro-a assim. Repetida. Todos os dias. É o conforto do meu coração.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Sou eu
Tenho andado absorvida comigo mesma. Li este livro (A hora da estrela) da Clarice Lispector esta semana e senti-me assim, como ela descreve aqui:
"Arrumou, como pedido de favor, um pouco de café solúvel com a dona dos quartos, e, ainda como favor, pediu-lhe água fervendo, tomou tudo se lambendo e diante do espelho para nada perder de si mesma. Encontrar-se consigo própria era um bem que ela até então não conhecia. Acho que nunca fui tão contente na vida, pensou. Não devia nada a ninguém e ninguém lhe devia nada. Até deu-se ao luxo de ter tédio — um tédio até muito distinto."
Ela escreve de uma forma que toca. Toca a alma. Mas tenho-me adorado. Até demoro um pouco mais a colocar maquilhagem de manhã. Cortei o cabelo. Está solto. Está perfeito. Sou eu.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
sinais
Adoro estes dias. Com sinais de primavera. Os dias a ficar cada vez maiores. Olhamos o céu antes de entrar em casa. A lua tem estado tão brilhante ao final do dia. Quarto Crescente. Nada de especial acontece. Ou tudo acontece de especial nestes dias. Pela repetição do dias. As flores crescem no jardim. Comprámos sementes para a horta. Que queremos ver crescer. O João adora a rua. O Miguel adora ajudar-me a fazer o jantar. Corto os legumes e ele coloca na panela. Ontem fizemos cuscus e legumes no forno. Estava delicioso. Mas parece que tenho de ser uma cozinheira mais convincente. Não comem quase nada. Os meus meninos. Os narcisos crescem no nosso jardim.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
um mundo melhor
Os meus dias. Aqueles que passo triste. Sem motivo. Aqueles que passo a pensar nuvens cinzentas. Depois tenho uma semana. Cheia de dores. Uma virose. Um exame. E o dia a seguir uma alegria de estar bem. De conseguir fazer as coisas (mesmo em casa). Uma felicidade capaz de conquistar o mundo. De conseguir fazer mil coisas. De amar os outros à minha volta. Com um amor generoso. Deixei as nuvens cinzentas. Para fazer dias de sol. Isto tudo para voltar a dar valor à minha rotina. À minha vida. Ao meu mundo. A tal gratidão de que tanta gente fala. Que pouco pratico. As pessoas felizes fazem um mundo melhor. Não tenho dúvidas disso. Eu faço um mundo melhor.
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