sábado, 3 de dezembro de 2016

be brave

É sábado. E tem estado a chover sem parar. A lareira acesa. tenho os meninos a mexer em coisas electrónicas. Vou fazer um bolo de erva doce e canela. Tenho 20 semanas de outro amor que vem a caminho. José Eduardo. Chove. Sem parar. Penso enquanto arrumo a cozinha e vejo a chuva cair. O poder pessoal que existe em nós quando sobrevivemos à dor que sentimos por algo que acontece connosco, à nossa volta e que desistimos de controlar. Não vou aqui dizer explicitamente o que me acontece, o que está a acontecer. Mas a verdade é que estava a pensar em resposta ao "não sei como consegues" que oiço às vezes. Consigo. E a verdade é que é exatamente como a fénix que renasce das cinzas. Como se a dor que existe nos faz renascer. Novamente. E sempre, mais corajosa, mais forte, mais tranquila, e sempre com amor no coração. Não raiva ou ódio. O interessante de suportar algumas coisas é isso. Faz-nos diferentes. Canalizar a dor, penso que será isso. Para o melhor de nós. Parece que é tão simples, escolher a felicidade, o sorriso, mesmo com tudo a acontecer. E vendo bem agora, talvez seja, depois de tudo, tão fácil escolher estar feliz. Mesmo. Apesar de. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

dos outros

Tenho de confessar algo a meu respeito. Do que me tenho vindo a tornar. E, isto, porque não consigo entender porque mudei tanto nos últimos anos. 
Os outros e aquilo que pensam de mim, se gostam ou não de mim. Não dou importância alguma a isso. Mas a diferença é tanta que chega a ser difícil de acreditar. Do que me importava, para agora. 
Há uns anos, quando cheguei a Proença-a-nova, não tinha ninguém, amigos. Não tinha amigos e o que eu dava para ter. Como precisava tanto. O Carlos trabalhava em Espanha e eu estava sozinha. Estagiava na Câmara Municipal. E de amizades, estava já toda a gente a minha volta cheia. Não que tenha sido muito duro para mim. mas apenas precisava imenso de amigos. Ali ao pé de mim. 
Talvez o passar do anos nos leve a gostar mais de estar connosco. De estarmos sozinhos e sermos perfeitos para companhia. Porque é isso que sinto. Sou perfeita para mim. Não posso dizer que agora não tenho amigos. Fiz dois ou três que adoro de coração e sabem disso. E as outras, as amizades de longe, sei que sempre vão ficar. 
A sensação agora é completamente diferente. Como se estar apaixonada por mim fosse suficiente. E aquilo que pensam irrelevante. E muita gente não deve gostar de mim, não sei bem porquê. mas talvez por ser diferente. Ou não gostam mesmo só por olharem para mim. Como aquela mãe de um miúdo da sala do meu menino. Eu achava que era do feitio dela, não olhar para mim, nem me responder ao bom dia, nunca me desejar bom dia. mas depois vi que ela é super simpática para toda gente. Um pessoa que não conheço. não sei onde mora. Nunca a vi na minha vida senão nas escola dos miúdos e não gosta de mim. Não gosta de mim só de olhar para a minha cara. E, isso, pouco me importa. (continuo a dizer o meu bom dia).

terça-feira, 12 de julho de 2016

Lucy


Tenho coisas dentro de mim que quero muito fazer. E ontem foi daqueles dias que terminei uma data de coisas. Simples. Mas que ocupavam sempre um pouco do meu pensamento. Não gosto de coisas por concluir. Fico sempre mais leve quando termino algo. Ontem vi este filme. Uma coisa tão simples como ver um filme. Há dois anos (desde que saiu) que quero vê-lo. Adorei. Adorei aquilo que nos transmite. A forma como o nosso entendimento sobre as coisas é limitado. Como o homem desenvolve as coisas materialmente para ter, mais importante do que desenvolver o ser. Houve um frase que me ficou na cabeça o resto do dia. Não existimos. Somos tempo. Achei maravilhoso. Todo o filme é lindo. A passagem do conhecimento. A nossa imortalidade. Se ainda não viram. Aconselho.

(até acho que fez sentido só vê-lo agora. Talvez lá atrás não tivesse feito sentido para a pessoa que era)


segunda-feira, 27 de junho de 2016

2 years ago

Quase dois anos passaram desde que conheci a ana de amesterdam. Diferente do que estava habituada a ler em blogues. Mas fascinou-me a forma como escrevia e abordava alguns sentimentos e relações entre as pessoas. Aquilo que ela mesmo é, também me fascinava. Quase dois anos passaram desde que falei o que tinha de falar. Desde que confrontei algo que tanto me magoava. Todos os dias. Todos os dias o mesmo. É verdade quando falam que nada é para sempre. Mas aquele sentimento de impotência sobre o que me rodeava pensei que não fosse desaparecer nunca. Alturas havia que pensava, teria desaparecido e continuava lá. Bem sabia. Mas agora passados quase dois anos. Sinto-me profundamente livre. Quase não li a ana neste tempo todo. Não consigo lê-la sempre. Voltei agora a ela. Traz-me uma nostalgia que não consigo explicar. Ela esteve presente nesse meu momento, há dois anos atrás. E agora volto a ela. Porque preciso dela. Por outros motivos. 

sábado, 18 de junho de 2016

da Natália

Hoje quero falar da Natália. Esta mulher incrível que conheci e que faz parte do meu caminho agora. Quase não existem palavras para descrevê-la. A primeira vez que tive contato com ela foi através do seu livro. Ela escreve as coisas de uma forma que nos deixa apaixonados. Pela comida. Pela vida. Depois, encontrei-a no Instituto Macrobiótico. Dois dias de aulas que nos deixaram (a todos nós alunos) extasiados com a sua forma de ser. A sua forma de comunicar. Ela tem tanta vida! E sabe dar-nos vida também. 
A presença dela marcou-me e quando descobri que ela dava consulta de Macrobiótica fiquei encantada e experimentei. E não me desiludi. Como se tudo fizesse sentido depois de falar com ela. Foi um marco importante para esta minha mudança. E continua a ser. Por tudo o que escreve. Por tudo o que me faz sentir e por tudo o quanto me elucida com seus conselhos. Podem lê-la aqui.
Não acredito em coincidências. Todas as pessoas que entram na nossa vida significam alguma coisa. E estou agradecida por todas aquelas que ultimamente entraram na minha vida. Quer fiquem por muito tempo, por pouco. Tenho aprendido muito de mim, com elas também. 
Hoje quis escrever sobre a Natália. Porque ela escreve coisas assim: 

"O ser humano é maravilhoso e uma das suas características mais fascinantes é a sua inabilidade para viver o intemporal da vida.
Li algo que começava assim: "A Paixão dura 3 anos..."
Sim dura, todos sabem isto. Até existem empresas de eventos que organizam festas de despedida da Paixão. Aos 35 meses as pessoas reúnem-se e despedem-se do que já sabiam que ia terminar.
Que tendência ignóbil a nossa de querer fixar datas e tempos para o que não tem possui medida mensurável!
A Paixão chega quando menos esperamos e segue o seu rumo, que depende de muitos outros factores, depois transforma-se noutro sentimento e como tudo o que é vivo, muda.
Ela chega como uma inflamação, acende-nos, pulsa-nos arrebata-nos. Amplia o nosso calor, causa dor e atormenta, mas é algo simplesmente fascinante, capaz de alterar estados de consciência, coloca-nos fora da nossa esfera de conforto e possibilita-nos um voo desmedido. Somos capazes de viver sem sentido e perder o medo do perigo.
E um dia a Paixão tem de ceder e transforma-se no que estamos preparados para ser.
Os inícios possuem sempre uma temperatura diferente.
Podem durar 3 dias, 3 meses, 30 meses, 30 horas, o que importa o tempo, se aquilo que nos toca por dentro é sempre vivido eternamente?
Que absurda necessidade a nossa, de contabilizar tudo.
Deixemos isso para as finanças e não façamos contas com aquilo que não podemos controlar.
Apaixonem-se e deixem-se transformar pelo fogo nos arde por dentro, num tempo impossível de calcular.
E deixemos de comparar, o amor e a paixão, a desilusão e a satisfação. Tudo faz parte do todo. Somos um bolo que não pode ser vendido às fatias.
Somos um ser que está muito para além do que conseguimos ver: E é não por isso que não me canso de repetir, fecha os olhos e imagina o que ainda está para vir."



Não é maravilhosa? <3





sexta-feira, 10 de junho de 2016

[living]

Sei como passam os dias e não volto a encontrar-me aqui. Dificuldade em sentar-me a escrever sobre mim. E mudou tanta coisa nestes dias passados. Agora posso dizer. As pessoas mudam se estiverem predispostas a isso. Mas não as outras. As outras pessoas não mudam. Mudamos nós. Só nós nos mudamos. E esse processo é um deslumbramento do melhor de nós. 
Existem várias formas de nos transformarmos, mas geralmente algo exterior a nós, o mundo, as pessoas, as situações, tudo vai ao nosso encontro. E nós ao seu encontro. E esta relação é maravilhosa. A relação com o mundo e as sensações que obtemos dele. E, não raras vezes, dói.  Dói bastante pelas expectativa que criamos dentro de nós. Como se o melhor para nós soubéssemos de cor. E não sabemos. Se não fosse aquilo que dói eu não seria o que sou agora. Se não fosse aquilo que faz doer imenso eu não me descobriria nunca. Como é possível que de algo mau possa fazer florescer algo tão bom dentro de mim? Acho que porque não conseguimos aceitar a dor. E, então, surge uma forma de começar esta mudança. Aceitar. Aceitar as coisas como são, aceitar os outros que não mudamos. E depois começar. A pensar em nós. Ao aceitarmos algumas coisas ficamos com espaço para pensar mais em nós. No nosso coração. 
Estou a falar desta mudança porque é tão significativa para mim. Porque não é como das outras vezes em que mudava para agradar. Mudava sem mudar. Mudava aparentemente e tudo no meu coração ficava igual. Sufocava. 
Estou a viver. Sem precisar agradar, senão a mim mesma. E é isso. Sou minha. Como sempre deveria ter sido.




domingo, 27 de março de 2016

a macrobiótica é um caminho solitário

A macrobiótica é um caminho solitário. Foi assim que a Diana escreveu em desabafo e que eu a partir desse momento me interessei por macrobiótica. Queria saber porque era assim tão solitário. E se era para ir sozinha eu podia ir. Tão habitada que estou a ser sozinha. Este mundo novo e desconhecido para mim fazia todo o sentido. Tão sentido que não percebia como não tinha descoberto ainda esta forma de viver e pensar. Parece que todo o meu mundo passou a fazer sentido. Comecei então a descobrir que passamos a ter informação e passamos a ser mais responsáveis por tudo o que nos acontece, seja fisicamente ou emocionalmente. O que mais fez sentido foi que a macrobiótica e a filosofia oriental ajuda-nos a conhecer o nosso corpo e a saber cuidar dele. Não ficamos mais à mercê de opiniões formadas na faculdade por médicos, que por mais que saibam o que andam a fazer e por mais importante que seja a medicina convencional não nos deixa espaço para perceber o todo envolvente que somos. Atacamos os sintomas camuflando-os. E não chegamos a pensar qual o motivo que nos leva a estarmos doentes (seja uma breve constipação seja doenças mais crónicas). Para mim significa poder e ao mesmo tempo responsabilidade. E percebo porque as pessoas nem sequer querem ouvir o que tenho a dizer sobre tudo o que nos rodeia e sobre aquilo que nos está a fazer mal. Elas não querem ter responsabilidade. Porque ter responsabilidade é algo que temos de pensar. E as pessoas não pensam mais. E mais fácil colocar nas mão de outra pessoa a responsabilidade de saberem o que temos e como nos curamos. Mas bem, é a nossa vida, o nosso corpo. Como não podemos querer essa responsabilidade mesmo que andemos todos demasiado ocupados? Olham-me como se eu estivesse errada e como se o rumo do mundo estivesse certo. e sabem que mais. Talvez esteja. Mas neste momento estou a passar por este processo de aprendizagem e desejava que outras pessoas o fizessem também. Porque é maravilhoso. E não quero impor nem mostrar que tenho razão. Não sei quem tem razão. Só não consigo mais voltar atrás. E por isso, continuo, neste caminho, sozinha.